quinta-feira, 2 de maio de 2013




ASSIM NÃO

Já não sou a menina de rosto coberto de sardas.
Agora sou mulher.
Mas procuro a menina ainda em mim.
Escondida num cantinho qualquer.

Já não sou a mesma de antigamente.
Fui perdendo pelos caminhos.
Aquela fantasia que era maior que eu.
Aquela maneira de crer em tudo cegamente.

Naquele tempo era tanta a poesia em mim.
Que transbordava por todo meu ser.
Era disso que eu falava o tempo todo.
Eu era bem assim.
E fui perdendo isso,
perdendo o viço.

Agora me agarro à vida
como a uma tábua de salvação.
Meu Deus! Não quero uma vida assim.
Quero voltar a sonhar, imaginar, fantasiar...
Se não consigo já não sou mais eu.

São Carlos, 01 de março de 1992

sonia delsin 

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