DEBRUÇADA
Estou debruçada.
Não numa janela qualquer.
A ver uma rua qualquer.
Não, estou debruçada na janela do tempo.
Vejo o passado a caminhar devagar.
Desejo nos trechos bons vê-lo parar.
Nos ruins quero acelerar.
E rio da inocência de uma menina-moça.
Do jeito circunspeto de um rapazote.
Vejo flores enfeitando longos cabelos.
De gramados recém-cortados eu sinto o cheiro.
Me invade um perfume de flores noturnas.
Vozes, risos, lágrimas.
Estradas, árvores, casas.
Tudo me volta.
E os vejo moços a beijarem-se.
Vejo-os a caminhar, a desfilar em jardins que o tempo guarda.
sonia delsin
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